folhas e notas

8 04 2008

A beleza do teu amor

 

Me envolve e me levanta

Tua criatividade

Faz em mim uma aliança

 

De correr, ventar, amar

Tua vida em mim brilhar

Romper, invadir, levar

E com uma nota a Ti louvar

 

Vem passar, encher, entoar

Quero cantar as Tuas notas

A clave começar

E voar sem o fim chegar

[arranjo e caligrafia: Dele]





Desculpe, não posso mais encontrar-me assim, contigo.

8 04 2008

Não me leve a mal, acredite – este é um caso legítimo de preservação – é que ao teu lado me são roubadas as melhores identidades. Veja bem, não as evoluídas em relação a outras, só aquelas que mais visto pra sentir-me assim tão: eu. E o que tens com elas? Explico: houve um tempo, que passado nunca se apagou por não ter o poder de fazer inexistir a si, eu senti demais; fundo e com a exata imensurável intensidade que a expansão ultrapassou os limites do estômago. Ocupou todo corpo e transbordou o que não era sentir. Era você pelos olhos, boca e cada poro – verteu – me encharcou e vestiu.

Deixe-me elucidar que isto não foi um tornar-me a sua imagem e semelhança, nossos gostos e temperamentos antes já se equivaliam em tendência. O que a mim se apresentou com mais força que em qualquer momento anterior da vida (a minha) foi – alteridade – àquela altura não havia o nome, só o *outro* em-contra mim. Enfin, um fato que provou com muitas das tuas (as tuas) facetas, a minha existência. E o que pretendo no anunciado afastamento é perder o essencial? Pelo contrário, repito, trata-se de preservação. Porque a descoberta se deu na experiência, não em seu contínuo morno e insípido que resultou confuso numa descontinuidade. Essa que sussurra contida em cada um de nossos raros encontros em tom de desdém “seu outro era sonho”.

Então estou nua, não da nudez que lhe deixa aos olhos o essencial. Sou toda transparência e ninguém me vê, nem eu. Desculpe, não posso mais encontrar-me assim, contigo.

[por suzana . /tangereene ]

 





na pergunta

8 04 2008

a que ponto estamos dispostos de falar o tudo? sabe-se que somos diferentes, sabe-se que olhando em quase todos os ângulos da diferença dele do lado vemos loucura.

de verdade, de perto, ninguém é normal.

mas é isso? sou diferente e louco e não falo?

sem a exposição não há a importação. se não sair, não entra. tudo funciona aqui dentro, feito engenhocas martelando 24h ao dia, mas ninguém sabe e ninguém saberá. mudo.

pra quê? se só se descobre vendo, vivendo, catando, explorando, compartilhando?

é o medo. quando eu faço, me mostrei. cristina e suas folhinhas…

eu posso escolher, sabe? eu tenho esse direito. as vezes escolho errado e muda fico. não cresço. paro.

mas quando exponho, me exponho, mas crio raízes em outros. falar é dar. dar de si e ter os outros.

´a mais vil de todas as necessidades – a da confidência, a da confissão. é a necessidade da alma de ser exterior. ‘   fernando pessoa.

 

mas, a melhor parte é a próxima parte. quando eu não preciso falar…