Não me leve a mal, acredite – este é um caso legítimo de preservação – é que ao teu lado me são roubadas as melhores identidades. Veja bem, não as evoluídas em relação a outras, só aquelas que mais visto pra sentir-me assim tão: eu. E o que tens com elas? Explico: houve um tempo, que passado nunca se apagou por não ter o poder de fazer inexistir a si, eu senti demais; fundo e com a exata imensurável intensidade que a expansão ultrapassou os limites do estômago. Ocupou todo corpo e transbordou o que não era sentir. Era você pelos olhos, boca e cada poro – verteu – me encharcou e vestiu.
Deixe-me elucidar que isto não foi um tornar-me a sua imagem e semelhança, nossos gostos e temperamentos antes já se equivaliam em tendência. O que a mim se apresentou com mais força que em qualquer momento anterior da vida (a minha) foi – alteridade – àquela altura não havia o nome, só o *outro* em-contra mim. Enfin, um fato que provou com muitas das tuas (as tuas) facetas, a minha existência. E o que pretendo no anunciado afastamento é perder o essencial? Pelo contrário, repito, trata-se de preservação. Porque a descoberta se deu na experiência, não em seu contínuo morno e insípido que resultou confuso numa descontinuidade. Essa que sussurra contida em cada um de nossos raros encontros em tom de desdém “seu outro era sonho”.
Então estou nua, não da nudez que lhe deixa aos olhos o essencial. Sou toda transparência e ninguém me vê, nem eu. Desculpe, não posso mais encontrar-me assim, contigo.
[por suzana . /tangereene ]
Prometo que depois de ler as primeiras linhas, suzi veio na minha cabeça e eu pensei q esse texto estava a cara dela. aí eu pulei pra ultima linha e confirmou. hilario.
ah, uma coisa: “tags” precisam ser divididas com vírgulas. entende? apesar de eu ter axado bem poético vc criar uma tag chamada “suzana não posso transparência” ela precisa ser dividida entre vírgulas pra se tornar 3: “suzana, não posso, transparência”. sacou? =*
este foi o jornal semcor e as dicas para novos blogueiros.