corre!

16 04 2008

Às vezes eu fico pensando se esse curso de Psicologia me endoida ou se abre meus olhos. É tanta doença, é tanta neura… Como eu ja disse antes, ninguém de perto é normal e, lendo esses textos eu acho que a pessoa “menos normal” do mundo seria exatamente eu!

É normal eu me identificar com quadros de histeria, neurose e psicose? É lícito eu falar isso aqui? E se alguém ler? Vão me trazer aquela camisa branca? Socorro.

Pronto. Parei.

e aí? como vai a vida?

a minha? acho que pirou.

 

 





orgulho

14 04 2008

Transpassar o vazio

cheio de carne

atravessar a parede de vento

cheio de sentimentos

círculo a formar

ciclo a quebrar

quando o de fora entra

e os tijolos fecham

enchendo o vácuo

de podridão

caiado

 

Deixar o martelo bater

e o cinza a romper

a molécula entrar

o rio formar

o vazio encher

e vazio a tornar

Transpassar o vazio

e no outro lado chegar .

 

 

[cristina soares]





libertando a pele

11 04 2008

stop na áfrica do sul . stop ?

 

Quero fazer. Isso! Quero fazer… pronto.
Quero fazer, passar, mas … não sei fazer mais, porque não tenho feito! …
Tô voando baixo, quase pousando, mas querendo voar.
Quer me ser. Quero abrir os braços…
Então só me resta…

Tenho que escrever
Não sei se a palavra é pra mim
Se não, já foi
Impulsionou
e começou
Quero ser parte e quero dar
mas é difícil dar
quando não se tem
Eu quero ser
mas quando eu sou
deixo de ser
pois fora já estou
e parei de dar
Então…. tenho que…
mudar quem sou??
Não! Porque senão
deixo de ser!
Quero ser e voar
mas em que parte estou?
Exposição
Sempre houve
até demais
O problema é
quando as asas fecham após expor
e o muro aparece
Ser quem sou
mas eu sou?
Onde vou?
Abrir, correr, musicar, mexer
Amar?
É. amar o verbo
E não o ser? Não o meu
O outro
Mas sem o outro
metade falta
“Cantar pra expressar o que sinto”
Vem, Deus
e canta meu canto pra mim
Vem encher o tronco
e revitalizar as folhas
Abrir os braços
e ventar os sonhos
libertar a pele
Sem Ti, não sou

[cristina em 23/09/2007]





pétala

9 04 2008

‘bem-me-quer, mal-me-quer…’

 

são as pétalas. parte de um todo. parte do corpo.

por mais belas que sejam, sozinhas, nada são.

mas são parte, partes dividas de um todo.

quando as partes não se encontram ou se perdem pelo caminho, o todo se desfaz.

o todo sente parte.

mas como achar as partes, juntas num só todo-completo?

e se uma pétala for rosa e a outra verde ?

como virar todo?

‘… ame o próximo como a ti mesmo.’

e juntos serão parte.

as pétalas da flor.

 

para ouvidos, Djavan com suas pétalas.

 





folhas e notas

8 04 2008

A beleza do teu amor

 

Me envolve e me levanta

Tua criatividade

Faz em mim uma aliança

 

De correr, ventar, amar

Tua vida em mim brilhar

Romper, invadir, levar

E com uma nota a Ti louvar

 

Vem passar, encher, entoar

Quero cantar as Tuas notas

A clave começar

E voar sem o fim chegar

[arranjo e caligrafia: Dele]





Desculpe, não posso mais encontrar-me assim, contigo.

8 04 2008

Não me leve a mal, acredite – este é um caso legítimo de preservação – é que ao teu lado me são roubadas as melhores identidades. Veja bem, não as evoluídas em relação a outras, só aquelas que mais visto pra sentir-me assim tão: eu. E o que tens com elas? Explico: houve um tempo, que passado nunca se apagou por não ter o poder de fazer inexistir a si, eu senti demais; fundo e com a exata imensurável intensidade que a expansão ultrapassou os limites do estômago. Ocupou todo corpo e transbordou o que não era sentir. Era você pelos olhos, boca e cada poro – verteu – me encharcou e vestiu.

Deixe-me elucidar que isto não foi um tornar-me a sua imagem e semelhança, nossos gostos e temperamentos antes já se equivaliam em tendência. O que a mim se apresentou com mais força que em qualquer momento anterior da vida (a minha) foi – alteridade – àquela altura não havia o nome, só o *outro* em-contra mim. Enfin, um fato que provou com muitas das tuas (as tuas) facetas, a minha existência. E o que pretendo no anunciado afastamento é perder o essencial? Pelo contrário, repito, trata-se de preservação. Porque a descoberta se deu na experiência, não em seu contínuo morno e insípido que resultou confuso numa descontinuidade. Essa que sussurra contida em cada um de nossos raros encontros em tom de desdém “seu outro era sonho”.

Então estou nua, não da nudez que lhe deixa aos olhos o essencial. Sou toda transparência e ninguém me vê, nem eu. Desculpe, não posso mais encontrar-me assim, contigo.

[por suzana . /tangereene ]

 





na pergunta

8 04 2008

a que ponto estamos dispostos de falar o tudo? sabe-se que somos diferentes, sabe-se que olhando em quase todos os ângulos da diferença dele do lado vemos loucura.

de verdade, de perto, ninguém é normal.

mas é isso? sou diferente e louco e não falo?

sem a exposição não há a importação. se não sair, não entra. tudo funciona aqui dentro, feito engenhocas martelando 24h ao dia, mas ninguém sabe e ninguém saberá. mudo.

pra quê? se só se descobre vendo, vivendo, catando, explorando, compartilhando?

é o medo. quando eu faço, me mostrei. cristina e suas folhinhas…

eu posso escolher, sabe? eu tenho esse direito. as vezes escolho errado e muda fico. não cresço. paro.

mas quando exponho, me exponho, mas crio raízes em outros. falar é dar. dar de si e ter os outros.

´a mais vil de todas as necessidades – a da confidência, a da confissão. é a necessidade da alma de ser exterior. ‘   fernando pessoa.

 

mas, a melhor parte é a próxima parte. quando eu não preciso falar…

 





céu cinza, folhas verdes .

7 04 2008

 Agora? 15h22 do dia 07 de abril de 2008…

hoje não tem nada de especial, só a vontade de escrever habitual. aliás, não sei nem como usar um blog. sempre achei fútil, mas como eu geralmente me perco no meio do pensamento, tá ai. fiz.

o dia ta parado. o pequeno saiu [teria ele uma vida social maior que a minha?] e tudo fica quieto. mas as músicas ficam passando…

 

folhas e notas. a gente começa rabiscando, amassando e depois de uns 4 primeiros acordes é que ela vai ganhando cor. alguns gostam semcor. eu prefiro verde. as folhas podem ser brancas ou verdes. mas comcor.

 

às vezes vejo uma árvore assim: o tronco marrom, as notas dando forma no topo, sendo elas colcheias, claves ou breves, e as folhinhas verdes caindo.

 

é o usual dando lugar ao pessoal. ao seu som.

 

eu escolho o meu. e você?